20/08/2016

O nosso fascínio pelos animais consegue ser mórbido


No final de Junho deste ano, um grupo de pessoas feriu gravemente uma tartaruga para tirar fotografias. Após subirem para cima do animal, espicaçá-lo com paus e arrastarem-no pela areia, acabaram por partir-lhe a cabeça. A tartaruga, de uma espécie em vias de extinção, foi resgatada por uma associação de defesa dos animais do Líbano, que imediatamente pôs mãos à obra para salvar-lhe a vida.
Este é um dos inúmeros casos, diários, onde os animais são maltratados, humilhados e reduzidos para as pessoas dedicarem-se à nova pandemia deste estranho século: as selfies. O termo, que significa nada mais do que "auto-retrato" num neologismo estrangeirado, acarreta consigo acções impensáveis e consequências dramáticas.

Veja-se, por exemplo, o que se passou no ano passado, também com tartarugas, na Costa Rica: os turistas ficaram tão ansiosos com a nidificação destes animais que acabaram por interrompê-los. O ciclo natural das tartarugas foi severamente atrapalhado, já que os turistas teimaram em fotografá-las, assustando-as com os flashes, bem como quiseram subir para cima delas - sempre com o intuito de conseguir a selfie perfeita.
Algumas situações como estas resultam na morte do animal, como o tubarão na República Dominicana e o cisne que acabou por não resistir na Macedónia - tudo a troco de fotografias. De acordo com o Take Part, esta tendência deve ser encarada como preocupante, contrariamente ao que tem sido feito.

As pessoas, cada vez mais, interferem na vida dos animais com o objectivo de registar o momento numa imagem. Essa ânsia de tirar uma fotografia com um animal, preferencialmente selvagem, é reveladora da admiração que o ser humano tem perante o supracitado - mas também é reveladora da nossa visão antropocêntrica e de dominância sobre eles. Só mesmo nós conseguimos transformar algo tão inofensivo, como tirar uma fotografia, num potencial féretro - porque estamos seguros da nossa auto-proclamada superioridade e como as nossas vontades mais supérfluas possuem muito mais valor do que uma vida senciente. Afinal, tratam-se de animais irracionais, pertencentes a espécies que não a humana e, portanto, diferentes. E é com essa diferença que insistimos na apatia total, ao mesmo tempo que desejamos fervorosamente vê-los, tocá-los e compactá-los na lente fotográfica e na gaveta das nossas memórias. Tornamos essa incompatibilidade perfeitamente plausível e continuamos a alimentá-la - mesmo que, para isso, a vida dos animais tenha de ser perturbada ou, até mesmo, interrompida.

Nem vale a pena descrever as sevícias, tanto físicas como psicológicas, que os animais passam para que esta fútil ambição humana prevaleça. Se, para alguns, tais sevícias são fruto de uma ingenuidade boçal, para outros é sinónimo de lucro: nos circos, os dentes dos grandes felinos e dos símios são arrancados para que as pessoas possam tirar uma fotografia com eles. O turismo também é outro círculo vicioso de exploração, principalmente nos países que aproveitam-se de animais selvagens e exóticos. As pessoas, hipnotizadas, pagam para andar de elefante, pagam para tirar fotografias com o macaquinho vestido de Abu, pagam para tocar na serpente - e o pior de tudo, aparentam não compreender o que se passa. Aparentam não compreender que, para conseguirem andar no elefante, tirar fotografias com o macaquinho e tocar na temida serpente, todos esses animais tiveram de aguentar injúrias inimagináveis. Espancados, admoestados, drogados: é este o real preço de uns minutos de diversão, posteriormente recordados em registo fotográfico. E, actualmente, em vez de aperceber-nos disso, arrastamos essa situação para o próprio habitat natural dos animais: fazemos isso com eles, por livre e espontânea vontade, e continuamos a não perceber os maus-tratos que acabamos por infligir. Como é possível esta admiração, tão grande, tornar-se mortífera? Como é que somos capazes de transformar um sentimento, que devia incluir o respeito, num verdadeiro atentado contra a integridade de seres sencientes?


Dizemos que gostamos de animais e que, por isso, desejamos interagir com eles e registar os momentos que conseguimos ter com eles. Por isso é que tiramos animais marinhos da água, mesmo que isso os deixe angustiados ou que os mate. Queremos estar próximos deles, apreciá-los como se fossem nossos. Queremos mostrar aos outros, nas redes sociais, o quanto adoramos a natureza e os outros seres que nela habitam. Porque, acima de tudo, gostamos de animais.

E, ao longo do tempo, temos demonstrado cada vez mais essa admiração que temos por eles. Depois do filme À Procura de Nemo, a demanda pelos sublimes peixes-palhaço disparou 40%. De acordo com a Saving Nemo, mais de um milhão de peixes foram capturados, bem como a National Geographic alertou para a apanha insustentável destes animais, principalmente nas Filipinas e na Indonésia, e como isso afecta a população dos mesmos. O filme mostra como os animais odeiam estar presos no aquário e como preferem descer pela sanita se isso lhes devolver a liberdade - mas preferimos adquiri-los, nem que para isso eles sejam retirados do seu habitat.

Colocamos aves em gaiolas, domesticamos animais exóticos, caçamos e empalhamos as cabeças dessas criaturas que inspiraram os mitos mais famosos da Humanidade, utilizamos as peles daquele jaguar ou daquele crocodilo, precisamente, por nos suscitar fascínio e respeito... em suma, fazemos o que fazemos com os animais porque gostamos deles.

Mas não sentimos empatia por eles.

Colocamos o nosso conceito de gostar, totalmente subjectivo e deformado, acima dos animais em si - porque somos incapazes de nos colocar no lugar deles, porque fazê-lo é sinónimo de inferiorização voluntária, porque isso já é demais e só os maluquinhos é que fazem, porque as diferenças entre humano e animal são hegemónicas e bem mais substanciais do que essa "compaixão vazia de razão"(1). E é isso que perpetua, e continuará a perpetuar, o fosso escabroso que distorce e divide a nossa relação com eles.



(1) Espinosa, Ética, IVp37s1

Imagem I
Imagem II

15/08/2016

Pepperoni vegano

Nem quis acreditar quando li a notícia no portal Vista-se: pepperoni 100% vegetal, versátil, fácil de fazer e óptimo para enriquecer pizzas, hambúrgueres, sandes, etc-etc-etc-o-que-importa-é-comer. A receita é do Minimalist Baker e pasmem-se: só tem dez ingredientes. DEZ. OMG É BRUTAL, AAAAHHH *gritaria desatinada* Depois da aquafaba (uma alternativa para as claras em castelo), esta deve ser a melhor invenção gastronómica que aconteceu neste planeta.

Imagem | The Minimalist Baker

Ingredientes:

Um pouco mais de duzentos gramas de tofu extra-firme (prefira o biológico);
Uma a uma colher e meia de chá de sal marinho e pimenta preta;
Duas a três colheres de chá de pimenta caiena, dependendo do gosto pessoal;
Duas colheres de chá de mostarda em grão;
Uma colher de chá de sementes de funcho, ligeiramente esmagadas;
Duas colheres de chá de paprika fumada;
Duas colheres de chá de alho em pó;
Duas colheres de chá de açúcar de coco (ou açúcar mascavado);
Um quarto de uma colher de chá de anis em pó;
Spray para cozinhar ou azeite.

Preparação:

Pré-aqueça o forno a 200 ºC.
Enrole o tofu numa toalha limpa e pressione-o com algo pesado para que perca parte da sua água. Deixe-o assim por dez a quinze minutos.
Corte o tofu em cubos e coloque-o num processador de alimentos juntamente com o sal marinho, a pimenta preta, a pimenta caiena, os grãos de mostarda, o funcho, o anis, a paprika fumada, o alho em pó e o açúcar. Pulse para combinar os ingredientes, raspando sempre os lados quando necessário. Rectifique os temperos consoante o seu gosto.
Transfira a mistura para uma assadeira forrada com papel vegetal.
Espalhe uniformemente a mistura, utilizando mais uma camada de papel vegetal por cima para ajudar nesse efeito. É importante que a mistura fique bem distribuída e bem fina para que seja crocante (no Minimalist Baker sugere que fique abaixo de um centímetro). Borrife com um pouco de spray anti-aderente ou pincele delicadamente com azeite.
Leve ao forno por vinte e cinco minutos ou até dourar e estar ligeiramente seco. Seguidamente, faça círculos com um cortador de bolachas (médio ou pequeno).
Neste ponto o pepperoni está bom para acompanhar uma pizza, onde deve cozer por mais dez a quinze minutos, dependendo do tempo que a crosta da pizza leva a assar. A cor profundamente vermelha e a textura crocante anunciarão que está pronto.
O pepperoni pode ser guardado no frigorífico durante quatro dias ou no congelador durante um mês. Caso optar pelo último, deixe-o descongelar um pouco antes de adicionar à pizza que ainda vai assar.

11/08/2016

Eu gosto é do Verão :)

Porque o calor convida a comer um gelado deixo aqui uma receita, do Compassionate Cuisine, pensada para estes dias quentes. Aproveitem e sigam o delicioso blogue da Márcia, é fascinante e oferece imensas ideias para comer sem crueldade




Faz seis gelados de pau.

Ingredientes:

Uma chávena de amoras;
Uma lata de leite de coco (correspondente a 400 mililitros);
Duas a quatro colheres de sopa de açúcar ou outro adoçante natural, dependendo da doçura das amoras;
Uma colher de chá de extrato de baunilha.


Preparação:

Misture numa taça o leite de coco com o adoçante natural ou o açúcar e a baunilha.
Coloque as amoras e duas colheres de sopa da mistura de leite de coco num liquidificador e triture de forma a que o leite de coco fique envolvido nas amoras mas que estas não percam completamente a sua forma, para que o gelado tenha mais textura.
Encha as formas dos gelados até metade com a mistura do leite de coco e leve ao congelador durante trinta minutos.
Divida a mistura de amoras igualmente por todos os copos e complete com a restante mistura de leite de coco.
Coloque um pau de madeira e leve novamente ao congelador durante duas a três horas. Depois de congelados podem ser retirados das formas. 

Sugestão: Para retirar os gelados das formas mais facilmente depois de congelados, passe a parte exterior do molde em água morna por alguns segundos.


A receita original leva mel, mas como este é de origem animal, pode ser facilmente substituído por xarope de agave ou açúcar de tâmaras, entre outros adoçantes exclusivamente vegetais.


Imagem pertence ao Compassionate Cuisine.

06/08/2016

10 documentários para despertar a consciência

Compaixão - A virtude de compartilhar o sofrimento do outro. Olhar para o outro.
Empatia - Considerar a possibilidade de uma perspectiva diferente da sua. Olhar com os olhos do outro.

Cada vez mais organizações, associações e particulares mostram o quanto é essencial encaixarmos a compaixão e a empatia no âmago das nossas responsabilidades e deveres como seres humanos. Há uns anos atrás isso não se sentia tanto, mas o grito silenciado do planeta levou a um despertar ético que, ainda assim, continua a não ser aceite por muitos de nós. É urgente compreendermos que o mundo não é uma pirâmide antropocêntrica e que existe mais vida para além da nossa - e que essa vida quer continuar a respirar, a existir.
E que não quer sofrer.
Fazer mal aos outros, só porque são animais não-humanos e os consideramos inferiores, comporta outras consequências que encontram-se firmemente interligadas mas que insistimos em desmenti-las: a desflorestação, o aquecimento global, a fome mundial e os problemas de saúde são algumas delas.

Abaixo seguem alguns documentários que vão, com certeza, mostrar como precisamos de mudar os nossos hábitos quotidianos. Aproveite as férias e junte a família e/ou os amigos para vê-los.


04/08/2016

Beleza sem sofrimento: R&B da Lush

Quem segue este espaço já deve ter percebido que sou viciada na Lush. Hoje apresento o meu produto preferido da marca e que não troco por nada: chama-se R&B e é um leave-in para os cabelos mais rebeldes.


Com leite de aveia, manteiga de abacate, manteiga de cupuaçu, azeite de comércio justo, absoluto de flor de laranjeira, óleo de coco, óleo de jojoba e óleo de louro, este super hidratante amacia e cuida dos cabelos secos ou crespos, difíceis de pentear e propensos a partir. É o ideal para quem utiliza bastante o secador e/ou o alisador/modelador, bem como para quem precisa de proteger os seus caracóis. Também é óptimo para cabelos que tenham sido quimicamente tratados.

Desde que o utilizo que não tenho visto uma única ponta espigada, o que é bastante positivo quando se tem o cabelo propenso para tal: já experimentei vários leave-ins e nenhum foi tão eficaz como este. O óleo de amêndoas doces, por exemplo, ajudava-me nesse aspecto, mas eu notava que o seu uso regular tirava algum volume ao meu cabelo. Com este hidratante o volume é respeitado e o cabelo fica com um cheiro maravilhoso e que permanece durante todo o dia.


Deve ser aplicado depois do cabelo lavado e levemente seco com a toalha, mas também pode ser utilizado com o cabelo seco: basta aplicar um pouco, do tamanho de uma ervilha e meia.
Apesar do produto não ser propriamente barato (cem gramas custam 17,75 € e duzentos e vinte e cinco gramas ficam a 29,95 €), a sua durabilidade é gigante e acaba por compensar bastante. Uma amostra que recebi, para experimentar, aguentou mais de duas semanas (tendo em conta que lavo o cabelo regularmente), pelo que um pote de cem gramas deve sobreviver durante um ano.

O R&B também pode ser usado em cabelos normais mas deve ser evitado por quem tem cabelo oleoso.