19/09/2016

Champô Big da Lush

O Big é um champô atípico: não tem a consistência de um champô dito comum, sendo basicamente um exfoliante com pedrinhas de sal marinho. Promete uma boa limpeza, um cheiro a maresia com limão e volume - daí o seu nome.


Apesar de ser um produto pensado para cabelos oleosos, e do meu cabelo ser normal com pontas secas, adquiri-o na mesma para conseguir volume - e porque os meus fios gostam de agarrar resíduos com uma pinta do caraças e foi-me aconselhado um champô de limpeza profunda.

Uma coisa é certa: o champô lava muito bem sem usar-se muito. Uma pequena quantidade é suficiente para fazer muita espuma, pelo que é um produto com boa durabilidade. Massajei até as pedrinhas de sal dissolverem-se por completo e só no fim enxaguei. Foi somente nessa etapa que estranhei o efeito, visto que o cabelo ficou "duro", mas após o condicionador ficou macio e continuou a cheirar muito bem.

Em relação à limpeza, é bastante eficaz. Senti o cabelo muitíssimo mais leve em comparação com outros champôs que já utilizei. Quanto ao volume, ofereceu algum corpo aos fios mas não operou nenhum milagre. Provavelmente quem tem o cabelo pouco volumoso não vai sentir uma diferença alarmante, mas recomendo-o para cabelos oleosos e/ou como champô anti-resíduos.

Numa tentativa de conseguir um bom volume fiz o combo do Big com a máscara da Glenova: após o champô apliquei a máscara, não tocando na raiz, e deixei actuar por alguns minutos. A diferença foi mais visível e o cabelo ficou ligeiramente mais volumoso e mais macio (e graças à máscara ficou a cheirar a morango e amora o dia todo, o que é bastante agradável).

Quanto à utilização, a própria Lush classifica o champô como esporádico: como tem sal (e SLS), torna-se agressivo para o cabelo e resseca-o se for usado como um champô regular. O melhor é aplicá-lo uma ou duas vezes por semana, no máximo.
Comecei a usá-lo duas vezes por semana e depois encurtei para uma, mas como notei que ele estava a ressecar imenso a raiz e a desidratar os fios passei a aplicá-lo quinzenalmente. 


O Big encontra-se à venda nas lojas físicas da Lush e online e custa 16,50€.

12/09/2016

Ograr fora de casa: Green Pepper

O primeiro restaurante vegetariano que se visita tem sempre um lugar especial no coração: o Green Pepper, que tive a sorte de conhecer numa altura em que não sabia ainda muito bem o que comer (era nova nestas andanças), não me desapontou e continua a ser um dos meus preferidos. Situado em Sete Rios, é um espaço acolhedor e descontraído; o bom tempo convida a ficar na esplanada e o interior é óptimo para conviver em grupo.



Polenta com cogumelos, tofu no forno com molho de beterraba, legumes cozidos a vapor {beringela, pimento verde e courgette}, arroz integral, couve roxa, alho-francês e tomate


Apesar de não ser totalmente vegetariano estrito mais de 80%-90% das opções são veganas, estando as mesmas devidamente identificadas. Tem muitos pratos frios, essencialmente saladas, e pratos quentes sempre deliciosos. O único senão são as sobremesas, visto que raramente há alternativas veganas. No entanto, a refeição em si compensa bastante, bem como os sumos naturais.


Avaliação geral:


Comida
(Não dei a pontuação máxima por causa das sobremesas, unf :c)

Atendimento

Preço


Localização
Avenida José Malhoa - 14B
1070-158 Lisboa

A cinco minutos da estação de comboios de Sete Rios ou
a cinco minutos da saída do metro da Praça de Espanha,
via Avenida Columbano Bordalo Pinheiro

Contacto: 21 726 0001
Facebook [x]

03/09/2016

A tourada já foi proibida em 1836

para ser reintroduzida nove meses depois. A populaça não apreciou a interdição e vociferou, revoltada, tomada pelo desejo mórbido de sofrimento e involução. E graças a essa desumana vontade, actualmente em Portugal, centenas de bovinos continuam a ser dilacerados nos eventos tauromáquicos.
Porque é arte.
Arte sanguinolenta, que pinta uma tela com o sangue dos animais que arquejam, ofegantes e trucidados. A arena é a tela maculada, polvilhada com os grãos cúmplices de areia para absorver os resquícios de uma violência que, por aqui, permanece legalizada.


Num camião, praticamente imobilizados, eles esperam. As horas desfiam-se muito lentamente, incineradas no calor esquizofrénico que é acolhido no interior do veículo. O Zéfiro ficou lá fora: dentro da divisória metálica do camião, os touros permanecem reféns do egoísmo angustiante.
Porque é necessário.
Depois de aguardarem dentro da enorme caixa escura, desorientados, aturdidos e sedentos, são encaminhados para a arena. Cada touro vai ser perfurado com cores flamejantes que escondem um arpão de quatro centímetros de comprimento e vinte mililitros de largura. Conjuntamente com o arpão, um ferro de oito centímetros será parcialmente cravado no dorso. A frieza do ferro penetra no músculo, rasgando-o como papel. A dor, essa, é lancinante - mas os espectadores estão demasiado aturdidos com o gáudio distorcido para notar isso. A arena engole a dor e abafa-a. Silencia-a. A dor de um animal, que é sensível ao ponto de enxotar uma mosca no dorso com a cauda, é irrelevante. As cores das bandarilhas, a emoção pujante, a adrenalina ribombante: tudo isso transcende a agonia de uma criatura quadrúpede e que só merece existir para divertir os outros.
Porque é tradição.
Depois dos ferros perderem-se na carne latejante, exausto e debilitado, o touro ainda terá de enfrentar a pega. Em suma, um animal enfraquecido contra oito homens que o provocam, imobilizam-no e saltam-lhe para cima. Um deles, o rabejador, puxa-lhe violentamente a cauda. Como se a humilhação não bastasse, várias vértebras são partidas à conta da sevícia. Mais dor. Mais lágrimas que não caem. Mais tormento aplaudido. O público devora avidamente o espectáculo, batendo orgulhosamente no peito como aqueles homens são corajosos ao enfrentarem um animal enorme com as mãos nuas. É uma luta justa, equilibrada, dizem. E tudo isto sucederá com os outros cinco touros que aguardam pela sua vez.
Porque é cultura.
No fim da tortura são levados novamente para o camião. Como encontram-se tão langorosos são puxados e arrastados violentamente por cordas. No camião ser-lhes-ão arrancados os ferros a sangue frio, cortando a carne à volta do arpão com uma faca e deixando-lhes o lombo em autêntica carne viva. Depois da "festa", quando os espectadores já estão embriagados pela sórdida folia, os touros são levados para os curros, no mesmo camião onde não se podem mexer, deixando um rasto de sangue que marca o inóspito caminho da brutal boçalidade.
Já nos curros não têm direito ao mais humilde alimento, nem à mais parca gota de água, nem a nenhum unguento que acalme as suas gritantes feridas. Só a solidão banhada no vil padecimento os conforta, como uma cama de lâminas.
Se a corrida foi a um Sábado, serão encaminhados para o matadouro na manhã de Segunda-Feira. Os que demonstraram mais força e bravura serão poupados pelo ganadeiro para serem utilizados como reprodutores. No corredor da morte choques eléctricos admoestam aqueles malogrados corações, que desistem de bombear a vida no corpo. Afinal é para isto que eles vivem, afirmam os entendidos que lucram com a ignobilidade tamanha. Logo assim que nasceram estava marcado o terrível destino.
E só ali, na ala de abate, conseguiram finalmente

estar em paz.



Recursos utilizados: [x] [x]
Infelizmente, a reportagem "Vermelho e Negro" da SIC, de 2003, não se encontra mais disponível em formato audiovisual, mas muitos detalhes contados pela mesma foram utilizados para escrever o presente artigo.
Imagem | Fonte


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20/08/2016

O nosso fascínio pelos animais consegue ser mórbido


No final de Junho deste ano, um grupo de pessoas feriu gravemente uma tartaruga para tirar fotografias. Após subirem para cima do animal, espicaçá-lo com paus e arrastarem-no pela areia, acabaram por partir-lhe a cabeça. A tartaruga, de uma espécie em vias de extinção, foi resgatada por uma associação de defesa dos animais do Líbano, que imediatamente pôs mãos à obra para salvar-lhe a vida.
Este é um dos inúmeros casos, diários, onde os animais são maltratados, humilhados e reduzidos para as pessoas dedicarem-se à nova pandemia deste estranho século: as selfies. O termo, que significa nada mais do que "auto-retrato" num neologismo estrangeirado, acarreta consigo acções impensáveis e consequências dramáticas.

Veja-se, por exemplo, o que se passou no ano passado, também com tartarugas, na Costa Rica: os turistas ficaram tão ansiosos com a nidificação destes animais que acabaram por interrompê-los. O ciclo natural das tartarugas foi severamente atrapalhado, já que os turistas teimaram em fotografá-las, assustando-as com os flashes, bem como quiseram subir para cima delas - sempre com o intuito de conseguir a selfie perfeita.
Algumas situações como estas resultam na morte do animal, como o tubarão na República Dominicana e o cisne que acabou por não resistir na Macedónia - tudo a troco de fotografias. De acordo com o Take Part, esta tendência deve ser encarada como preocupante, contrariamente ao que tem sido feito.

As pessoas, cada vez mais, interferem na vida dos animais com o objectivo de registar o momento numa imagem. Essa ânsia de tirar uma fotografia com um animal, preferencialmente selvagem, é reveladora da admiração que o ser humano tem perante o supracitado - mas também é reveladora da nossa visão antropocêntrica e de dominância sobre eles. Só mesmo nós conseguimos transformar algo tão inofensivo, como tirar uma fotografia, num potencial féretro - porque estamos seguros da nossa auto-proclamada superioridade e como as nossas vontades mais supérfluas possuem muito mais valor do que uma vida senciente. Afinal, tratam-se de animais irracionais, pertencentes a espécies que não a humana e, portanto, diferentes. E é com essa diferença que insistimos na apatia total, ao mesmo tempo que desejamos fervorosamente vê-los, tocá-los e compactá-los na lente fotográfica e na gaveta das nossas memórias. Tornamos essa incompatibilidade perfeitamente plausível e continuamos a alimentá-la - mesmo que, para isso, a vida dos animais tenha de ser perturbada ou, até mesmo, interrompida.

Nem vale a pena descrever as sevícias, tanto físicas como psicológicas, que os animais passam para que esta fútil ambição humana prevaleça. Se, para alguns, tais sevícias são fruto de uma ingenuidade boçal, para outros é sinónimo de lucro: nos circos, os dentes dos grandes felinos e dos símios são arrancados para que as pessoas possam tirar uma fotografia com eles. O turismo também é outro círculo vicioso de exploração, principalmente nos países que aproveitam-se de animais selvagens e exóticos. As pessoas, hipnotizadas, pagam para andar de elefante, pagam para tirar fotografias com o macaquinho vestido de Abu, pagam para tocar na serpente - e o pior de tudo, aparentam não compreender o que se passa. Aparentam não compreender que, para conseguirem andar no elefante, tirar fotografias com o macaquinho e tocar na temida serpente, todos esses animais tiveram de aguentar injúrias inimagináveis. Espancados, admoestados, drogados: é este o real preço de uns minutos de diversão, posteriormente recordados em registo fotográfico. E, actualmente, em vez de aperceber-nos disso, arrastamos essa situação para o próprio habitat natural dos animais: fazemos isso com eles, por livre e espontânea vontade, e continuamos a não perceber os maus-tratos que acabamos por infligir. Como é possível esta admiração, tão grande, tornar-se mortífera? Como é que somos capazes de transformar um sentimento, que devia incluir o respeito, num verdadeiro atentado contra a integridade de seres sencientes?


Dizemos que gostamos de animais e que, por isso, desejamos interagir com eles e registar os momentos que conseguimos ter com eles. Por isso é que tiramos animais marinhos da água, mesmo que isso os deixe angustiados ou que os mate. Queremos estar próximos deles, apreciá-los como se fossem nossos. Queremos mostrar aos outros, nas redes sociais, o quanto adoramos a natureza e os outros seres que nela habitam. Porque, acima de tudo, gostamos de animais.

E, ao longo do tempo, temos demonstrado cada vez mais essa admiração que temos por eles. Depois do filme À Procura de Nemo, a demanda pelos sublimes peixes-palhaço disparou 40%. De acordo com a Saving Nemo, mais de um milhão de peixes foram capturados, bem como a National Geographic alertou para a apanha insustentável destes animais, principalmente nas Filipinas e na Indonésia, e como isso afecta a população dos mesmos. O filme mostra como os animais odeiam estar presos no aquário e como preferem descer pela sanita se isso lhes devolver a liberdade - mas preferimos adquiri-los, nem que para isso eles sejam retirados do seu habitat.

Colocamos aves em gaiolas, domesticamos animais exóticos, caçamos e empalhamos as cabeças dessas criaturas que inspiraram os mitos mais famosos da Humanidade, utilizamos as peles daquele jaguar ou daquele crocodilo, precisamente, por nos suscitar fascínio e respeito... em suma, fazemos o que fazemos com os animais porque gostamos deles.

Mas não sentimos empatia por eles.

Colocamos o nosso conceito de gostar, totalmente subjectivo e deformado, acima dos animais em si - porque somos incapazes de nos colocar no lugar deles, porque fazê-lo é sinónimo de inferiorização voluntária, porque isso já é demais e só os maluquinhos é que fazem, porque as diferenças entre humano e animal são hegemónicas e bem mais substanciais do que essa "compaixão vazia de razão"(1). E é isso que perpetua, e continuará a perpetuar, o fosso escabroso que distorce e divide a nossa relação com eles.



(1) Espinosa, Ética, IVp37s1

Imagem I
Imagem II

15/08/2016

Pepperoni vegano

Nem quis acreditar quando li a notícia no portal Vista-se: pepperoni 100% vegetal, versátil, fácil de fazer e óptimo para enriquecer pizzas, hambúrgueres, sandes, etc-etc-etc-o-que-importa-é-comer. A receita é do Minimalist Baker e pasmem-se: só tem dez ingredientes. DEZ. OMG É BRUTAL, AAAAHHH *gritaria desatinada* Depois da aquafaba (uma alternativa para as claras em castelo), esta deve ser a melhor invenção gastronómica que aconteceu neste planeta.

Imagem | The Minimalist Baker

Ingredientes:

Um pouco mais de duzentos gramas de tofu extra-firme (prefira o biológico);
Uma a uma colher e meia de chá de sal marinho e pimenta preta;
Duas a três colheres de chá de pimenta caiena, dependendo do gosto pessoal;
Duas colheres de chá de mostarda em grão;
Uma colher de chá de sementes de funcho, ligeiramente esmagadas;
Duas colheres de chá de paprika fumada;
Duas colheres de chá de alho em pó;
Duas colheres de chá de açúcar de coco (ou açúcar mascavado);
Um quarto de uma colher de chá de anis em pó;
Spray para cozinhar ou azeite.

Preparação:

Pré-aqueça o forno a 200 ºC.
Enrole o tofu numa toalha limpa e pressione-o com algo pesado para que perca parte da sua água. Deixe-o assim por dez a quinze minutos.
Corte o tofu em cubos e coloque-o num processador de alimentos juntamente com o sal marinho, a pimenta preta, a pimenta caiena, os grãos de mostarda, o funcho, o anis, a paprika fumada, o alho em pó e o açúcar. Pulse para combinar os ingredientes, raspando sempre os lados quando necessário. Rectifique os temperos consoante o seu gosto.
Transfira a mistura para uma assadeira forrada com papel vegetal.
Espalhe uniformemente a mistura, utilizando mais uma camada de papel vegetal por cima para ajudar nesse efeito. É importante que a mistura fique bem distribuída e bem fina para que seja crocante (no Minimalist Baker sugere que fique abaixo de um centímetro). Borrife com um pouco de spray anti-aderente ou pincele delicadamente com azeite.
Leve ao forno por vinte e cinco minutos ou até dourar e estar ligeiramente seco. Seguidamente, faça círculos com um cortador de bolachas (médio ou pequeno).
Neste ponto o pepperoni está bom para acompanhar uma pizza, onde deve cozer por mais dez a quinze minutos, dependendo do tempo que a crosta da pizza leva a assar. A cor profundamente vermelha e a textura crocante anunciarão que está pronto.
O pepperoni pode ser guardado no frigorífico durante quatro dias ou no congelador durante um mês. Caso optar pelo último, deixe-o descongelar um pouco antes de adicionar à pizza que ainda vai assar.